
À minha filha Teresa e aos seus colegas que me acompanharam no percurso à China desejo fazer um agradecimento e um convite para me visitarem e desfrutarem da hospitalidade, beleza paisagística e cultura histórica da minha terra, Açores, na ilha Terceira.
Aqui, resguardada no meu “castelo de pedra vulcânica e embalada pelo mar” tenho reflectido sobre a minha viagem e como apreciei a vossa companhia; como fui salvaguardada pela vossa presença, verdadeiros “anjos”enviados por Deus do céu.
Também beneficiei dos ensinamentos que tenho recebido através da prática e filosofia do swásthya yôga.
Eu, a mais velha dos grupos onde me inseri, até com experiência de anos passados em África, senti-me vulnerável e fui confrontada física, psíquica, emocional e espiritualmente, necessitando da vossa ajuda para ultrapassar as dificuldades que foram surgindo.
De vós amigos, tive a alegria, a boa disposição, o optimismo, a disponibilidade, a capacidade de adaptação e comunicação.
O yôga deu-me capacidade de mobilizar muita energia, força, resistência e manter a integridade.
A minha alimentação vegetariana salvou-me “dos males intestinais” típicos do turista e permitiu-me deliciar com a grande variedade de legumes e frutos secos bem confeccionados, sempre acompanhado pela tacinha de arroz e chás maravilhosos.
Que me desculpem os momentos de espanto e indignação, expressos em forma de crítica e rejeição, perante a ignorância e pobreza material, educacional e espiritual que com frequência constatei; nesse país enorme e cheio de contrastes e “no meio desse mar de gente” foi-me difícil “navegar”e manter um sentimento de consideração, compaixão e aceitação, por todos.
Tive de viver alguns dias nessa dura realidade e trago “cravadas” no meu coração a rudeza e dificuldades económicas do povo chinês rural (embora com belezas naturais e potencial em matéria-prima), com falta de ensinamentos e condições higieno-sanitárias, pedalando nas suas velhas bicicletas, bastante diferentes dos carros luxuosos e prédios novos das grandes cidades e dos templos conservados com efeito turístico ou das lojas com “mil e uma coisas”; e pude comprar artigos luxuosos ou preciosos como as sedas, as porcelanas, o jade, as pinturas em móveis de boa madeira a baixo custo; ser massajada por bons profissionais, confirmar o valor da medicina tradicional chinesa, assistir a espectáculos de dança, teatro e acrobacia com grande exigência artística e beleza visual.
Mas é claro que vocês também viram isso, mas pergunto, como se justifica esta diferença tão grande na educação deste povo?!
Ao que parece continuam a ser seleccionados de entre milhões e só uma minoria pode usufruir de condições propícias ao seu desenvolvimento e aperfeiçoamento. Afinal está sendo difícil deixar o sistema de benefícios só para alguns, que existiu nos tempos imperiais…
Percebi como precisam de estrangeiros para trabalhar nesse país; querem melhorar e para abreviar esse “tempo de mudança “ recorrem a técnicos com conhecimentos em diferentes áreas.
A minha contribuição na China ficará através do trabalho desenvolvido pela minha filha; a ela e a todos esses jovens que por lá trabalham, é-lhes pedido um esforço extra, pois tem de demonstrar muitas qualidades e capacidades para poderem desenvolver bem as suas funções profissionais e “marcar a diferença” cultural e espiritual.
Assim, se ainda não vos “condecoraram”( e medalhas também não faltam por aí!) dou-vos eu os prémios:
Teresa, és campeã da comunicação e da orientação;
Mónica, de ti veio a disponibilidade e a simpatia;
Mário, uma autêntica fortaleza protectora com equilíbrio emocional e físico”
Tiago, um desportista nato e cavalheiro de confiança;
Alfredo, o nosso seleccionador de grande fidelidade;
As “chinesinhas” gémeas lá de casa, com os seus lindos gatos, são um exemplo de” lótus” a brilhar na sua simplicidade e amabilidade, xiéxié;
Aos “internacionais” de um grupo que compartilhei um dos percursos “por montes e vales” e agradáveis convívios tive, “thank you”;
Aos colegas de trabalho da Teresa, bem hajam por todas as atenções, em especial o Zé, cujo empenho na China, sempre ouço falar mais.
Flip, Buli e Alexandra, vocês” estão cá do outro lado do mundo” mas são os contactos atentos e incondicionais que os coloca na lista dos “super” amigos.
ZAIJIAN, ATÉ VER, DESEJO A TODOS TANTAS FELICIDAES QUANTAS AS MONTANHAS DA CHINA!
Margarida Armas
PS - obviamente neste caso funciono apenas como mensageira do bom coração da minha mãe. Obrigada pelo voto de confiança.